(Voltar à 1ª parte - MAR)

A terceira fase, retém elementos das fases anteriores mas expressa uma nova maturidade a nível da cor e da forma. O domínio da cor é maior e, ainda assim ou por isso mesmo, as cores destas telas são neutras e discretas, beijes e azuis, surgindo invariavelmente ao serviço das formas – das formas das pedras em toda a sua multiplicidade. Surgem esboços a grafite em alternância com as telas a acrílico, a óleo e a pastel o que denota a secundarização da cor em relação à forma. Pedras isoladas, amontoados de pedras, pedras em equilíbrios precários, pedras coexistindo com elementos secundários que apenas existem para comprovar a supremacia daquelas, o seu domínio absoluto sobre a paisagem. As pedras falam-nos, contam-nos histórias, cativam-nos, seduzem-nos, quais mulheres tentadoras, nuas, prometendo incursões pelo mundo dos prazeres carnais, ou são simplesmente pedras. Pedras mudas e quedas, frias e alheias às nossas humanas expectativas, às nossas carências, aos nossos vazios. Pedras homens e pedras mulheres, pedras fortes e pedras frágeis, pedrinhas e pedregulhos. Não terá sido por acaso que Dâmaso, que aqui se revela uma atenta dissecadora de almas, terá escolhido o mais primário, o mais frio e o mais bruto elemento da Natureza para nos fazer sentir, sentir tudo ou não sentir nada. Junto às pedras ou do aconchego do contacto entre duas pedras, nos solos inóspitos, cobertos de neve ou simplesmente nus, germinam ervas rasteiras (fecundidade), pequenas plantas ou esboços de árvores em miniatura quais bonsais sem forma de bonsai. Pontualmente, em duas ou três telas as pedras esvaziam-se das suas formas e são somente sombras de luz, espectros, perdendo o carácter de objectos terrenos e conquistando uma natureza etérea.

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